A hospitalidade enquanto qualidade humana e do não-humano. O modo como as nossas memórias nos acolhem e as nossas casas nos dão guarida. A forma de os outros se constituirem nosso país ou nos deixarem à porta. Aqueles que nos estendem a mão, sejam pessoas, animais ou coisas. A redenção por via dos sorrisos dos estranhos, do seu cumprimento anónimo. A cidade excludente, a intimidade entre dissemelhantes e o murmúrio dos abrigos. A equanimidade radical da doença, a impossibilidade da justiça, a amizade reparadora, a resistência nos gestos invisíveis
— venho escrevendo sobre estas coisas e também sobre a cegueira das imagens, sobre os meus heróis ocultos.
Sou o género de mulher que tem uma relação tão íntima com vírgulas quanto com pessoas. Aprendi a escrever duas vezes, a primeira, em menina, a segunda, em adulta. A literatura é, na minha vida, uma reserva de alegria. Quero ser feliz.