Luanda, Lisboa, Paraíso
2018



A história de Cartola e Aquiles, pai e filho, de Luanda a Paraíso.


“O ponto alto daqueles anos foi o casamento de Severino, pedreiro da obra, um órfão de dezanove anos que convidou Cartola para padrinho. De camisa lavada e casaco de bombazina escovado, o Papá foi o soba da cerimónia, à qual emprestou a solenidade de um patriarca. Despejou no cabelo meio frasco de água-de-colónia. Esfregou a testa com manteiga de cacau. Até afiou a navalha para fazer melhor a barba. Casaram na capela de Santa Bárbara, num pré-fabricado no Bairro n.º 5, a caminho de Chelas. Em troca de quinhentos paus e de um diapasão que trouxera de Luanda, o padrinho do noivo comprou a um ourives ambulante um fio de prata dourada com um pequeno corno para oferecer à noiva. Os primos dela receberam pai e filho como se fossem da família. E Cartola e Natacha abriram a pista na garagem de Quimzé ao som de Urbano de Castro, motivo para uma salva de palmas, assobios, vivas, «Cartola é fixe!, Cartola é fixe!».”

Companhia das Letras Portugal, 2018.
Brasil: Companhia das Letras, 2019.
Eslováquia: Lisabon, Luanda, Raj, Portugalský inštitút, 2022 (Silvia Slaniková, trad.)
China: Sichuan Literature & Art Publishing House, 2022 (trad. Sang Dapeng)
EUA: Farrar, Straus & Giroux, 2025.